quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Desapego

Desapego

Hoje...tudo e nada me apetece...
Nada me apraz, nem o sol nem a lua  nem  o desejo de ser tua
Hoje, despida de sensações e emoções caminho descalça por trilhos de chuva molhadas
E nem vejo o reflexo de vida que a mesma espelha, ignoro-a ...à vida...  
Essa...  a mim  sempre ignorou e quase tudo me negou
Hoje... tudo e nada me apetece...
Subitamente nada importa, nada me assusta...
O tempo passou por mim sem compaixão e numa implacável mutação
Foi recheando a  bagagem...está pesada a mala que comigo acarreto
Mas é ela que orienta meu  seguro caminhar 
Caminho indiferente sem rede que me possa apoiar nem estrela guia para me  guiar
Nesta vida alucinante, rumo sem destino por caminhos sem brilho, sem chão, sem ilusão
Hoje...tudo e nada me diz....
Nem risada, nem  lágrima chorada, nem lamento do que o tempo ceifou
Nem  vozes de multidão alucinada ou incoerentes julgamentos de mentes ocas desocupadas
Hoje...num racional grito de silêncio, dissolvo quimeras e liberto-me desta dualidade de sentimentos
Sufoco-me em claustro recolhimento...rendida,  aguardo o sopro do vento
Tal folha seca que o Outono  matou 
E nesta inquietude desapegada...entrego o espírito, entrego a carne
Não sei se morri...ou se morta já não estou...