terça-feira, 27 de setembro de 2016

Adeus ...



Adeus loucura adeus
Quero que  te vás
E meu ser numa alva candura encontre paz
Não nasci para ti nem tu para mim
Nasci para sonhar  e meus sonhos não mais vivenciar
Eu não nasci para o amor
Ninguém nasceu para me amar
Sou alma metade, semente do acaso
Que voa no tempo em busca de se encontrar
Mil vezes me virei do avesso
Para vencer a luta que minha vida cercou
E mil vezes moribunda morri... e renasci
Quero que te vás insana loucura
Deixa que plasme de lucidez meu frágil ser
Sinto em mim um obscuro turbilhão que me entontece
E uma firme certeza desta loucura não querer viver
Adeus loucura adeus
Não te quero em vida minha
Liberta-me para sempre, por Deus te peço
Fatigada estou destas algemas que me prendem à bucólica ilusão
De um dia a um qualquer coração pertencer
Como faz doer esta louca ilusão...
Adeus loucura... Adeus !


© Ana Sousa Simões







sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Incompreensão



Volta não volta para minha desfortuna
Quando de júbilo meu coração sorri
Logo chega a tristeza enciumada
A enxotar tamanha satisfação
Será pura maldade, teimosice, ou obstinação ... ?
Digo pra mim, no meu acreditar utopista
É somente a angústia rebugenta
Brincando com a jovial satisfação
Que, para meu deleite e contentamento
Trás a mim calor e alento, envolto numa ponderada calma
E fico assim em banho-maria , em fogo morno
Numa apatia que me inebria...
E já o dia raiava e a algia não dormia
Ao ver-me submissa deste modo incompreendido
Minha alma alagada de ilusões, de dor se vestia
E eu.. alucinada, embriagada, teimosamente insistia
Cantando louvores por uma alegria que não existia...

©  Ana Sousa Simões