Desapego
Hoje...tudo e nada me apetece...
Nada me apraz, nem o sol nem a lua nem o desejo de ser tua
Hoje, despida de sensações e emoções caminho descalça por trilhos de chuva molhadas
E nem vejo o reflexo de vida que a mesma espelha, ignoro-a ...à vida...
Essa... a mim sempre ignorou e quase tudo me negou
Hoje... tudo e nada me apetece...
Subitamente nada importa, nada me assusta...
O tempo passou por mim sem compaixão e numa implacável mutação
Foi recheando a bagagem...está pesada a mala que comigo acarreto
Mas é ela que orienta meu seguro caminhar
Caminho indiferente sem rede que me possa apoiar nem estrela guia para me guiar
Nesta vida alucinante, rumo sem destino por caminhos sem brilho, sem chão, sem ilusão
Hoje...tudo e nada me diz....
Nem risada, nem lágrima chorada, nem lamento do que o tempo ceifou
Nem vozes de multidão alucinada ou incoerentes julgamentos de mentes ocas desocupadas
Hoje...num racional grito de silêncio, dissolvo quimeras e liberto-me desta dualidade de sentimentos
Sufoco-me em claustro recolhimento...rendida, aguardo o sopro do vento
Tal folha seca que o Outono matou
E nesta inquietude desapegada...entrego o espírito, entrego a carne
Não sei se morri...ou se morta já não estou...



























