segunda-feira, 4 de maio de 2015

Ser mãe

Mãe não é só ventre que carrega e pare com dor 
Quem amamenta ensina e dá amor
Mãe é todo que ama sem descriminação
O negro, o branco, o rico e o mendigo
O amigo, o desconhecido e até o inimigo 
É quem em rumo certo cativa do mesmo modo a criança e o ancião
o mesmo que nos põe no peito, o amor a descoberto
É sorriso espontâneo, conselho sábio e franco
Mãe é abrigo e evasão
É rebento germinado que a chuva prazenteira a vida facilitou
É doce bálsamo de casto afecto perfumando minh'alma de afeição
Mãe é a natureza onde reconhecida eu me deleito
É a felicidade imensa, sentida num quase nada
Mãe é amor à deriva que continuadamente busquei
É desamor naufragado à muito esquecido em praia ancorado 
Numa busca vã em alvas manhãs de alegria
Chamam por mim vidas de calmaria
E nesta pacatez, onde já nada espero e nada dou
Abafo meu grito e sou aceitação

Ana Simões




2 comentários:

Jaime Portela disse...

Excelente poema, gostei imenso.
Ana, já tinha saudades de a ler.
Saudações poéticas.

Ana Simões disse...

Muito obrigada Jaime. Desculpe a demora da resposta, estive ausente de férias. Grata pelas palavras e visita.