terça-feira, 29 de maio de 2018

O passeio estava a terminar. Parque das Nações


O passeio estava a terminar, Óscar ia deitando um ultimo olhar a tudo que via, embora cansado encontrava-se num estado de euforia quase incontrolável, subindo muros, refrescando-se no repuxos de água que encontrava, saltitando de banco em banco alegremente chegámos ao Pavilhão do Conhecimento. Queria navegar por mares explorados por navegadores de outrora. Eu, de passo acelerado obrigava-o a acompanhar-me, o dia escurecia e estávamos longe de casa. Subitamente Óscar trepou para cima de um dos barcos, virei-me para o repreender mas nem me deu tempo.
_ Ana, olha um globo terrestre. Não fazia ideia de que sabia que estava perante um globo terrestre, sentei-me e perguntei-lhe.
Como sabes que é um globo terrestre? Fitando-me com ar de espanto respondeu.
_ Ora, é muito simples. o globo terrestre é uma esfera que representa o planeta que habitamos.A terra. Sabias que já na idade média  existia o globo terrestre? Pois é, não foram os ocidentais a inventar esta forma de representação do nosso planeta, mas sim os chineses e os árabes. Mais tarde, com as expansões ultramarinas  realizadas pela Europa, foi confirmada que a terra era redonda. Desde então o globo terrestre tornou-se um importante elemento de conhecimento para a navegação e cartografia.
_ sorri rendida, sentei-me a seu lado e permanecemos em silêncio cada qual em seus pensamentos
_Em que pensas Óscar? Não moveu uma farpa, seu olhar continuava fixo no cenário que tinha á sua frente. Interrompi aquele momento.
_ Muito bem menino, temos vinte minutos para apanhar o próximo comboio.
_ Não se levantou de livre vontade, é claro, coloquei-o na mala desejando que ninguém me observasse. Prometi-lhe que um dia o deixaria viajar sentado no comboio. Rendido perguntou.
_ Quando saímos de novo? Gostei tanto.
_ Não sei Óscar a vida é feita de momentos incertos. Vive o momento, só  o agora importa.
A meio do caminho voltei a espreitar a mala, adormecera.



Pôr do sol no Parque das Nações.


Chegou estafado o Óscar, sentá-mo-nos observando o dia findar e enquanto o céu ganhava uma ténue cor amarelada proveniente  do sol que se deitava escondido atrás das nuvens, expliquei-lhe como surgiu este espaço tão bonito e agradável de Lisboa.
_ Sabes Óscar, no ano de 1998, aconteceu neste espaço uma exposição mundial e foi muito importante para o nosso país e simultaneamente  para a recuperação  deste lugar que até então  pouco mais era que um aterro  sanitário  e algumas industrias desactivadas. Hoje, mostrei-te um dos lados do parque mas muito ficou ainda por ver, talvez um dia regressemos  e te possa mostrar o lado do parque Tejo  e rio Trancão. adoro este lugar, sinto-o tal fénix renascido das cinzas...

Finalmente o passadiço. Parque das Nações


chegámos finalmente ao passadiço, percorre-mo-lo calmamente apreciando a paisagem, estávamos ambos cansados, creio que o Óscar um pouco mais do que eu pois o seu corpinho já dava sinais de desconjuntura, parecendo-me que mal já se aguentava de pé,  decidi regressar,  não fosse o Óscar sofrer alguma lesão nas articulações. Prometi-lhe que um dia regressar e faríamos o percurso todo. olhou para trás como que a analisar o esforço necessário mas acabou anuindo pela beleza  do lugar.

Um pouco mais adiante... Parque das Nações


Óscar deparou-se com um pequeno lago e quis sentir e ver de perto como era a tal estrada espelhada... aproximou-se e ao ver o seu reflexo  debruçou-se.
_Cuidado! não vá cair. Sabes, conta a lenda, que há muito tempo na antiga Grécia, existiu um belo rapaz de nome Narciso, filho do deus-rio Cephissus e da ninfa Leriope. Um dia, ao admirar a sua própria figura, enamorou.se se si mesmo e deixou-se ficar junto ao lago eternamente, contemplando-se.
Acabou por morrer e no seu lugar nasceu uma bonita flor branca de grande beleza a quem deram o nome de Narciso... a lenda é muito mais longa e há mais do que uma versão, mas agora vamos senão nunca mais fazemos a caminhada pela passadiço.
_ Parece o espelho lá de casa. Exclamou Óscar,
_ Sim, mas não é. O que faz reflectir a tua imagem e tudo em redor do lago são os raios de luz solar ao incidirem na superfície da água...anda que te vou mostrar outros reflexos.
E seguimos caminho.

Ainda pelo Parque das Nações


Seguimos na direcção sul, queria levar o Óscar a fazer uma caminhada pelo passadiço de madeira à beira Tejo, passando antes, pelo interior do Parque. E lá estava ele muito admirado com tudo que via.
_ O que é aquilo? perguntou-me.
_ Uma girafa, respondi.
_ Uma quê?
Lembrei-me que para Óscar tudo é novo.
_ Uma girafa é um ser que pertence ao reino animal. Diria que será um dos mais elegantes, se não o mais. As girafas não são brancas como esta que aqui estás a ver, não.. possuem o corpo coberto de pele toda ela coberta por manchas circulares. e queres saber mais algumas curiosidades sobre este animal?
_ Sim Ana, por favor. Ensinara o Óscar a pedir por favor e a dizer obrigado.
_ A girafa possui o maior pescoço dentro do reino animal. Mal precisa de dormir, vinte minutos diários é o bastante e não os dorme seguidos, vai cochichando ao longo do dia por breve momentos e  dorme de pé. Também de pé é mamã e quando o filhote nasce dá logo uma queda de cerca de dois a três metros. A sua gestação  dura cerca de quatorze meses e os filhotes à nascença já medem cerca de um metro e oitenta pesando entre quarente a cinco e sessenta e oito quilogramas.
São animais bastante rápidos, não obstante o seu tamanho,podendo atingir cerca de  cinquenta e seis quilómetros por hora. são dóceis e simpáticos, a sua alimentação consiste especialmente de folhas que colhem da copa das árvores  com a sua áspera e longa língua que mede 40 centímetros. No seu habitat vivem em grupo,  maioritariamente,  na região sul do continente africano. São muito altas medindo quase seis metros de altura, sendo que o pescoço pode chegar a medir cerca de três a quatro metros.
_ Então tenho de ir a África para as ver?
_ Pois, também gostaria de visitar o continente africano, mas é caro Óscar. Não! um dia levo-te a um lugar onde as poderás ver.
Lá vamos nós ao zoo.

Continuando pelo Parque das Nações


O passeio continuou e Óscar maravilhado admirava a paisagem.
Para ele tudo era uma descoberta, um novo mundo. queria andar naquela estrada espelhada  e tive de lhe explicar que aquela "estrada" era o rio Tejo que nasce em Espanha, e quiça um dia o levo ao nosso país vizinho. Contei-lhe como esta estrada maravilhosa foi importante para os nossos descobridores... como é grandioso o nosso lindo Tejo, sendo o terceiro mais extenso da península ibérica  e que todos os rios correm para o mar...
 Isto despertou no Óscar o desejo de conhecer o mar. Muito temos de viajar.


Em visita ao Parque das Nações


Ontem levei o Óscar  ao parque das Nações. Fomos ambos passear e absorver aquela energia boa use o Tejo sempre transmite.
Começámos uma caminhada entre os 181 mastros das bandeiras que representam os cinco continentes. Foi, digamos, uma viagem ao mundo com um pouco de loucura à mistura. Eu esparramada no chão para conseguir esta perspectiva e o Óscar todo empolgado por ter saído à rua.
Aqui um jovem desconhecido meteu conversa comigo, um agradável diálogo de longos minutos que me souberam tão bem..
A vida é isto, um eterno encontro inesperado.

Silêncio


Hoje,  eu e o Óscar, assistimos à obra prima de Scorsese "Silêncio" considerado um dos melhores filmes de 2016.
O filme aborda a história do cristianismos no Japão, quando no séc. XVII dois padres jesuítas viajam de Portugal até ao Japão em busca do seu mentor o padre  Cristóvão Ferreira.
Os dois jovens padres sofrem horrores e  testemunham a perseguição dos japoneses cristãos debaixo do regime de Xongonato.
Um dos jovens padres é morto e o segundo questiona-se pelo silêncio de Deus face ao sofrimentos de seus filhos...
Passaram-se quatro séculos e os conflitos por  questões religiosas continuam, também eu me pergunto, ode está Deus.

O Óscar foi a Lisboa


Hoje o Óscar foi até Lisboa e, enquanto eu trabalhava ele apreciava a paisagem. E eu, observando esta micro-criatura olhando o mundo através das vidraças, sinto eterna gratidão.

As aventuras do Óscar

Sem vontade de escrever poesia, decidi partilhar o meu projecto fotográfico e narrativo do ano corrente. 


O Óscar é um amigalhaço cá de casa companheiro do tempo de faculdade do meu filho. Este ano irá acompanhar-me pelos diversos lugares onde me deslocar.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Permite-me dizer não ...


Dorme na espuma do silencio uma tela inacabada 
A tinta  secou e meus desejos camuflou
A momentos de excesso digo basta 
Que me doí esta atracção que me arrastou 
Para uma felicidade que nunca me abraça 
Já não sou fértil flor, que um dia frutos brotou
Já se foi a força de vendavais enfrentar 
Com lágrimas lavei o que vivi  e  almejei  viver
... sofri, senti  e não esqueci,  nem irei esquecer
Cansei de caminhar no breu, ofuscando meu olhar
Visto de coragem o desejo calado
Fecho o baú dos segredos 
E vivo com nostalgia vivenciais de fantasia  
E murmuro baixinho  ao meu  fraco coração
Permite-te doce coração... permitir-me dizer-te que não
E no meu louco divagar  ao amor  peço perdão
E digo, não !

 © Ana Sousa Simões 



sábado, 25 de março de 2017

O Duelo





Esqueci como se escreve...
Perdi a caneta e o papel e perdi-me com eles
E a dor de meu peito  que com os mesmos desamarrava
Vive em mim aprisionada num sombrio degredo
Lesando meus nervos...
... minha ansiedade arruína e minha fraqueza domina
Esqueci como se escreve
À noite a insónia me acaricia e vou morrendo...
Nesta agonia voraz que não se contém
Quero lembrar de escrever
Penejar meus devaneios sem receios
Idealizar momentos mais ousados
Sentir-me livre num meu breve rabiscar
Permitir à caneta deambular no papel
Escrevendo versos de amor e dor entremeados
E que bailem  em sintonia  como dois enamorados
E eu ... no árido leito da saudade
Neste duelo abstracto
Expulso sem dó meus gemidos
Envolta  no doce aroma  da Primavera
Na caneta e no papel  delírios fantasio
Que no  despontar da alvorada
Esconde-se uma mulher de alegria fantasiada

© Ana Sousa Simões

quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia da Mulher



Hoje o "Óscar" deixa o jornal para ler amanhã...
Abrevia o trabalho no "office  "
Acelera o passo para apanhar o comboio mais cedo
Antecipa aquele encontro à muito agendado
Avia-se na florista mais próxima
Aprimora-se no seu visual
Ignora a Tv e o tele-jornal
Inspira-se e escreve um soneto
Atreve-se, arrisca-se e num gesto ousado rouba o beijo desejado
Hoje o Óscar relembra  a sua meninice e recorda sua mãe suas irmãs, suas amigas de infância
Olhos nos olhos segue a musa que o conduz
E uma singela homenagem emerge a cada gesto
Nesta ligação perfeita honorifica a mulher
...
E  a noite chega calma e o dia findou e se o Óscar se atrasou ?
Hoje o dia é tão abstracto...
Porque nós mulheres, musas por poetas e artistas eleitas
Somos mais que uma data difusa esquecida no calendário
Somos a fêmea que seduz e à loucura conduz
Donzela casta, envergonhada que espera sonhadora o canto da alvorada
A esposa rendida; a esposa amada, a mulher amiga... amante
Somos o abrigo o regaço, terra fértil a fermentar
Mente em rodopio, desvario...
A luz no final do túnel, abraço que deslumbra.
A filha, a mãe... o riso o pranto, o colo que aspiras...vida a acontecer
Páginas de um livro  por ler ...alma e corpo intenso de Mulher...
Somos nós... Mulheres!

© Ana Sousa Simões






terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Desconjuntura

Desconjuntura

Numa sociedade cada dia mais egoísta
Onde impera a actua conjuntura económica
Onde vinga a discórdia, o desemprego, a pobreza...
Caminhamos por ermos lugares
Despovoados de sentimento
Falamos para maquinas, falamos para nós mesmos
E... nesta ausência de contacto
Debatemo-nos com os nosso eus
Combatendo incessantemente
O monstro em que se tornou esta sociedade onde vivemos
Lutamos, batalhamos , esforçamo-nos
E, constatamos
Vivemos num mundo louco
Sobrevivemos
E... rendomo-nos à loucura

 © Ana Sousa Simões



terça-feira, 15 de novembro de 2016

Saudade




( Imagem da NET ) 


Tenho uma caixa de origami 
Feita de papel de cetim 
Onde guardo saudades tantas
e as desencapoto  só pra mim 
Sigo encenando sorrisos  numa controlada  quietação 
que manda a sensatez, oculte meu sentir...
e á algia diga não 
Numa dor-saudade sentida... na demasiada nostalgia de lembranças várias
Guardo  em meu  secreto imo,  regalos de  soberba recordação
E no entre-pensar  de te ter e não te ver
Se de dia te recordo ... a noite traz-te a mim
E o sono intermitente, queda-se irrequieto  a hibernar
No mesmo,   embalo lembranças , afago-te na inolvidável minuta iluminada
Vislumbro ecos que minh'alma  tocam
E na cicatriz da memória, me torno viajante 
Nesta demente  insanidade alucinada
E quero ser tanto e não sou nada...

© Ana Sousa Simões


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Adeus ...



Adeus loucura adeus
Quero que  te vás
E meu ser numa alva candura encontre paz
Não nasci para ti nem tu para mim
Nasci para sonhar  e meus sonhos não mais vivenciar
Eu não nasci para o amor
Ninguém nasceu para me amar
Sou alma metade, semente do acaso
Que voa no tempo em busca de se encontrar
Mil vezes me virei do avesso
Para vencer a luta que minha vida cercou
E mil vezes moribunda morri... e renasci
Quero que te vás insana loucura
Deixa que plasme de lucidez meu frágil ser
Sinto em mim um obscuro turbilhão que me entontece
E uma firme certeza desta loucura não querer viver
Adeus loucura adeus
Não te quero em vida minha
Liberta-me para sempre, por Deus te peço
Fatigada estou destas algemas que me prendem à bucólica ilusão
De um dia a um qualquer coração pertencer
Como faz doer esta louca ilusão...
Adeus loucura... Adeus !


© Ana Sousa Simões







sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Incompreensão



Volta não volta para minha desfortuna
Quando de júbilo meu coração sorri
Logo chega a tristeza enciumada
A enxotar tamanha satisfação
Será pura maldade, teimosice, ou obstinação ... ?
Digo pra mim, no meu acreditar utopista
É somente a angústia rebugenta
Brincando com a jovial satisfação
Que, para meu deleite e contentamento
Trás a mim calor e alento, envolto numa ponderada calma
E fico assim em banho-maria , em fogo morno
Numa apatia que me inebria...
E já o dia raiava e a algia não dormia
Ao ver-me submissa deste modo incompreendido
Minha alma alagada de ilusões, de dor se vestia
E eu.. alucinada, embriagada, teimosamente insistia
Cantando louvores por uma alegria que não existia...

©  Ana Sousa Simões 






quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Já é ante-manhã ...


Hoje

A semente que em mim um dia se gerou, germinou e nasceu. Cresceu e gerou amor
A vida não passou por mim indiferente, eu dei vida e a vida deu-me a luz que me conduz
Tornou-me completa ... madre... progenitora... mulher inteira !
Reconhecida, bendigo um sonho colossal por mim ambicionado
Cativa deste amor e ternura sem igual ... sorvo a boa fortuna que me faz esquecer os infortúnios
E sou caminhante num oásis de felicidade
Caminho em glória, ofuscada por este cândido sentimento e para meu deleite
És meu refúgio, és a trave mestre que meu ser sustenta
És minh'alma inteira, és extensão de mim, minha inata alegria que meu coração acaricia
Meu sangue, meu alento, meu rebento... my best friend bem-humorado
Fala-me baixinho, abraça-me de mansinho... não assustes nosso regalo abençoado
Que a Deus rogo com fervor; nosso amor sempre flua e nunca eu venha a te desencantar
Ai que euforia.. já é ante-manhã. Neste dia minha prosa é de alegria !
Hoje...
Sou riso e felicidade e por ti renasci
Rumo à festança, visto-me de poesia e venho festejar teu dia.

Feliz aniversário filho lindo.

© Ana Sousa Simões





quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Foi Deus



Foi Deus

Rebusco os mistérios da fé e com fé me reencontro
E creio nessa força secreta que  Ele me confere em horas de mágoas tantas
Não quero mais em mim revolta ou pranto
Apenas a doce lembrança do teu sorriso
Já não te procuro mais... porque,  te sei sempre presente
Encontro-te mesmo quando de nuvens o céu se despe...
Ouço-te nas frescas águas das ribeiras, no sopro leve do vento
nas cores quentes do sol poente, numa flor que baila ao vento...
A brisa que meu rosto toca... és sempre tu.
Meu aconchego, meu anjo da guarda, minha estrela guia
E eu... eu sou matéria em evolução
Num presente incerto dum passado extinto
Dei tréguas à vida e na vida sacrifiquei meu choro, sufoquei meu grito e firmei minha fé
E num labirinto de acertos e desacertos achei a luz que me conduz
Com preces teci meu caminho e afastei a dor que em mim se fincou
E nesta teia oculta...  invento subtis laços de ternura, num éden por mim imaginado...
 ... onde tu és rainha
Lentamente,  reconstruo meu caminho com pedrinhas de gratidão e harmonia
Num solo saturado de sofrer, abandono a dor, liberto o passado
Agracio a vida e volto a ela por inteira... desde a manhã ao final do dia
Porque a vida, essa... é fugidia.

© Ana Sousa Simões


quinta-feira, 28 de julho de 2016

Estava Escrito

Deambulando neste vácuo oco, privada da tua presença
Estilhaçada, perdida num medonho deserto
E um desejo quimérico de te ver, persiste sem disfarçar
Dói-me as entranhas, meus olhos ardem das lágrimas que não consigo libertar
Meu coração ferido, sinto-o sangrar
Tento acalmá-lo mas ele não se detém e insististe em declinar a veracidade
Porém, neste vazio lancinante, minha apatia começa a entender...admitindo tão agreste pesar
Amaciando a aflição desta luta madrasta
É uma dor ambígua, oscilando entre dois pólos contraditórios
Uma lacuna perdida no espaço, sem asas para voar ou chão pra pisar
Abençoada insanidade que me embriaga, espraiando meu olhar além horizontes
Onde te ouço, te vejo, te sinto e nunca te perco
Eterna é a alma,,, então que não haja pranto na carnal separação
Resignada, liberto meu grito de agonia, seco as lágrimas que não brotei
Abafo a dor que não libertei e esqueço palavras que não escrevi
À noite, elevo meu olhar ao céu  de estrelinhas salpicado
Brindam-me os céus com cânticos de alegria e louvor
Que no céu há mais uma estrela a cintilar
Zelando por todos com amor.

│©  Ana Sousa  Simões