sábado, 5 de março de 2016

Caminhando


De recuos e avanços é feita a existência 
Passo em frente empurrão atrás
entre  trevas e luar  se vai tecendo a vida
tão  acidentada é a dureza deste ir e voltar
E a força... extenuadamente  reunida 
Recua desarmada, rendida...   e em marasmo se desfaz...
Recua a esperança renovada, a coragem alcançada, a destreza de se ser audaz
e a roda na mó de baixo, austera,  insípida, gelada...
lambuza-nos de beijos amargos como fel
Eis que...
 Subitamente um novo ciclo chegará sem aviso prévio e  é tempo  de festejo
Rufam tambores escutam-se sons melodiosos sem igual
ocultando a dor nevada equilibrando  agruras intemporais 
E subindo até ao cume... sem olvidar este amor...  jamais!
Alcanço o topo   desejado... e é tempo de festim
Elevemos pois o riso, a alegria o carinho a paixão
É tempo agora de beijos doces,  corpos  ardentes enlaçados
amantes apaixonados nutridos de prazer festejando a liberdade 
Vida fértil que  tudo me dá...  e amor em mim gerou...
Ainda  que ... o mesmo não passe de uma florida  ilusão
Renego tristezas e dores  tamanhas corto pela raiz ervas daninhas
Caminho morosamente...  que na penumbra já avisto o túnel de saída
E de ânsia de subsistir abunda minh'alma e meu corpo de mulher
Nesta mutação, sequiosa de ser...  serei inteira serei audaz
 E de apreciar a vida serei capaz!

© Ana Sousa Simões


1 comentário:

Jaime Portela disse...

A nossa vida, por vezes, sofre mutações.
Se ela for negativa, temos que reunir forças para procurar uma boa saída.
Se ela for positiva, é o tempo de aproveitar e ser feliz.
Com avanços ou recuos, é a única que temos. Por isso, há que a aproveitar ao máximo.
O teu poema é excelente. Gostei imenso.
Boa semana, minha querida amiga Ana.
Beijo.