terça-feira, 25 de agosto de 2015

Eu, tu e um pacto

Hoje quero falar de dor e amor
Dor deliciosa, dor benigna, dor que gera vida
Hoje mais do que nunca quero aninhar-te me meu colo
Semear meiguices de ternura e transformar tais gestos em prendas de amor
Para mim, sempre menino, hoje quase homem, ou serás tu já um homem e os meus olhos cansados
 aliados a um  iludido coração não mo deixam ver ?
Mais um ano passou e tombam por terra presságios envenenados 
E sonhos voam céleres, invertendo o destino
Das tuas mãos esguias brota arte, do frágil coração, amor
Sem traçados intermitentes, ou linhas do limite
E não desenham  tristes vielas que o tempo encerra
Ao invés de...
Transpiram talentos em noites despertas
Semeando com destreza arte por inventar 
E eu ..
No limiar de uma lágrima pendente, rendida à emoção
Assumo sem vacilar meu pecado de vaidade
Ostentando sem humildade, meu orgulho por um filho tão amado
Um dia serás meu encosto meu bastão, em dias meus de horas já mortas
Aí, devolvo ao mundo dilemas, desfaço-me dos meus prantos, dos meus ais
Ao longe o presságio se desvaneceu e não me incomoda mais
E quando um dia minha vida esmorecer
Humildemente, farrapos de existência aos deuses irei suplicar 
Para renascer num éden ansiado
Unicamente para te amar.

Ana Simões
( Grafite numa parede de Vitoria - País Basco - Espanha )




3 comentários:

tachuang disse...

Gosto.

Jaime Portela disse...

Um filho é tudo o que de mais importante podemos ter na vida.
Também por isso, as tuas palavras são magníficas.
Gostei imenso do teu poema, que é brilhante.
Ana, desejo-lhe um bom fim de semana.
Beijinhos.

Ana Simões disse...
Este comentário foi removido pelo autor.