quinta-feira, 28 de julho de 2016

Estava Escrito

Deambulando neste vácuo oco, privada da tua presença
Estilhaçada, perdida num medonho deserto
E um desejo quimérico de te ver, persiste sem disfarçar
Dói-me as entranhas, meus olhos ardem das lágrimas que não consigo libertar
Meu coração ferido, sinto-o sangrar
Tento acalmá-lo mas ele não se detém e insististe em declinar a veracidade
Porém, neste vazio lancinante, minha apatia começa a entender...admitindo tão agreste pesar
Amaciando a aflição desta luta madrasta
É uma dor ambígua, oscilando entre dois pólos contraditórios
Uma lacuna perdida no espaço, sem asas para voar ou chão pra pisar
Abençoada insanidade que me embriaga, espraiando meu olhar além horizontes
Onde te ouço, te vejo, te sinto e nunca te perco
Eterna é a alma,,, então que não haja pranto na carnal separação
Resignada, liberto meu grito de agonia, seco as lágrimas que não brotei
Abafo a dor que não libertei e esqueço palavras que não escrevi
À noite, elevo meu olhar ao céu  de estrelinhas salpicado
Brindam-me os céus com cânticos de alegria e louvor
Que no céu há mais uma estrela a cintilar
Zelando por todos com amor.

│©  Ana Sousa  Simões





domingo, 3 de julho de 2016

Encontro ao Reencontro

Há tempo de afazeres, muita azáfama e correia
Momentos em que o coração anavalhado por dores lancinantes nos paralisa
 E petrificada, nossa'alma gélida, penetra num abismo profundo, angustiante num silêncio mordaz
Há dias em que penso demais e a tristeza toma conta de mim
Mas o  vento passou e numa brisa protectora meu pensamento levou
E cada palavra me soa a poesia
Há tempo de lazer,do sabor adocicado de " non fare niente"
E nem a vizinha rezingona estraga nosso dia
E até conseguimos voar, fazer o pino, brincar, saltar
Simplesmente por recordar o quão delicioso é sonhar
Há dias que viver, combina com alegria, aventura, sol, mar e lua
Montanhas, cidades ou praia... o lema é sair prá rua
Então...
Vou rumar à quietude, à placidez do silêncio numa pacatez impenetrável
Reencontrar o equilíbrio, repousar meu olhar na mansidão do cume de uma montanha
Num murmúrio de um riacho
Viajar... fugir de mim para me reencontrar
Saio nesta estação e deixo o trem à espera de mim
Tenho o roteiro alinhavado e passagem comprada com bilhete de ida e volta
Na bagagem levo afectos, coragem e amor e aventuras sem fim
Vou d'alma ampla, sem limites assistir ao desfile fragmentar duma vida em que todos estamos somente de passagem
Embarcar nesta valiosa viagem com paragem obrigatória a um descanso diferenciado
Vou explorar as sonoridades da natureza, roubar ao tempo o tempo que a vida me levou
Perder-me na vastidão do desconhecido, reunir histórias
Gravar paisagens inesperadas, gentes e locais, geometrias e arquitecturas na minha câmara
Vou perder a identidade, o norte o sul, as horas os dias e reencontrar a esperança
algures entre a razão e a ficção sempre na perspectiva lírica de uma eterna apaixonada
Orientar meu caminho, agitar meu corpo minha mente e sentir o bem que isso me faz
Vou dar lugar ao que sou, encontrar-me e ser audaz.

© Ana Simões