Acerca de mim

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Sintra, Lisboa, Portugal
Porque me apraz e somente porque me apraz... vou rabiscando palavras no meu modesto linguajar. Palavras que oscilam entre o mel e o fel podendo roçar a minha biografia, não será a narrativa da minha individualidade e ou, do meu sentir. São apenas os meus Rabiscos de Mel e Fel.

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Aos sessenta e quatro anos

 


Seis décadas e mais quatro anos já passaram no calendário da vida

Histórias contadas em rugas marcadas

Sorriso que guardam memórias saradas

Emoções vividas algumas esquecidas

No olhar vago que ás vezes até brilha

Sessenta e quatro outonos de sonhos semeados

Alguns colhidos outros adiados

Em cada estação um recomeço

E sinto-me grata, tive mais do que mereço

Com passos mais lentos mas ainda com graça

Caminho a par com o tempo que passa

O meu velho amigo que está sempre comigo

E que venham mais anos, que venham mais dias

Que o futuro é farol que me ilumina

Nos trilhos da vida entre algias e alegrias

Lanço sonhos ao vento entre doces melodias

Nesta estrada da vida onde me sinto menina

E o presente é gratidão, é magia é paixão

É luz e sombra, é a esperança que me afina

A reta estrada e a fé que me guia

Pelos trilhos da vida

 Onde minha alma caminha 

© Ana Sousa Simões


quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

 

Perdoei mas não esqueci
A ausência de afetos
A liberdade e os direitos renegados
As noites em branco passadas 
Com olhos por lágrimas molhados
Perdoei mas não esqueci
O covil onde vivi
O abuso, o insulto, o desamor
O ser vil asqueroso, imundo
Que pra sarjeta me endereçou
Perdoei mas não esqueci
As palavras mudas pela noite calada
Caminhando sem mapa 
Sem futuro na estrada
Só, perdida, desabrigada
Perdoei mas não esqueci

 

© Ana Sousa Simões



sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Vontade de Escrever


 À procura de um mote que me leve a escrever

Que na escrita eu forjo

O que quero ou não esquecer

O tempo passou e minha veia de versejar, o tempo levou

Já se foram os desejos insanos, desmedidos, proibidos, profanos

Já desisti de construir um futuro que a mim jamais pertenceu

Ainda que insaciada, desses anseios Minh 'alma já se esqueceu

Escrevia porque me doía um passado que me marcou

Almejando um futuro que a vida me tirou

Hoje vivo no presente

Ai de mim que feliz sou

Mas de escrever senti saudade

E saudosista eu sou

Convoquei a nostalgia que outrora me acompanhou

E à procura de um mote para escrever

Aqui eu estou.

© Ana Sousa Simões