Anestésico é o tempo que me veste e a dor que me despe
neste silêncio morno onde a felicidade não cresce
Doce anestesia onde tudo é calmo numa brandura sem cheiro, sem cor, sem alma nem amor
Só dor
Não há choro nem riso, neste limbo embaçado que minha mente fantasiou
O mundo gira ao meu redor e minha alma embriagada acolhe grata a podre paz que a dor entre sombras amornou
E numa dança indistinta meu coração resignado
Uma vez mais tudo perdoou
E assim me quedo nesta louca agonia
Crendo ser feliz numa doce fantasia
Onde só o tempo vive e morta eu estou para a vida
Vem minha doce anestesia que meu fôlego parou neste buraco sem fundo.
© Ana Simões


Sem comentários:
Enviar um comentário