terça-feira, 17 de novembro de 2015

Jornada Indesejável


Sinto-me só... sei que não o estou mas sinto-me
Minto... sei que não devo mas minto
Componho sucessivamente a máscara que vai descaindo 
Invento alegrias, finjo sorrisos, mas em meu rosto correm lágrimas indesejáveis 
Em  noites mal dormidas, vagueia minha mente, sem rumo,  em debandada confusão
Meus lábios se cerraram... e guardam a raiva, a tristeza, a saudade e segredos meus...
Meu corpo insubmisso se nega a levantar
Instável, caprichoso despreza meu desejar
Meus nervos não reagem... minhas forças minadas de dor, observam de camarote minha letargia
Bloqueando vida, à minha alma sequiosa de viver
E nesta demanda, vive aprisionado meu coração em espinhoso degredo
Adiando promessa admitidas... ainda assim não esquecidas
Excomungo meus ais e expulso augúrios para lá do sol posto 
Certa que ... nem a morte quebrará este meu bem-querer carinhoso
Pergunto ao meu eu, envolto em gemidos
Por Deus... porque não sossegas?
Liberta-me esfaimado predador...Ainda que ha-ja trevas em meu redor
E seja minha glória comedida...
Permite-me viver!

© Ana Sousa Simões 



quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Inocente Pequena


Ombros caídos, rosto pendente
Triste olhar de quem já nada sente
Lá segue caminho a inocente pequena
Ignora o vulgo que seu penar ampliou
Exclui enfados de tuta e meia
Decidida a viver num todo a vida por inteira
Caminha em fatal cegueira...
A inocente pequena
Aos poucos, vai despindo as vestes do acanho
Sem cerimónias, mas subtil, faz-se ao caminho do carinho
Na espera que num impulso, a vida apure sabor e cor
E na transparência da sua nudez 
Em ébrio devaneio falseia... e sente-se dulcineia
Desperta a inocente pequena
Num fétido odor de quimeras mortas
Olhos roxeados de fundas olheiras
Derramam lágrimas a troco de beijos
Esvazia o coração em doces solfejos
A inocente pequena...menina mulher...
Uma tristeza imprecisa devora-lhe a alma
E num vaguear incerto sente-se só
De arrojo veste sua alma, carente de afagos
Percorre a calçada compassada... ao findar de mais um dia
E no seu humilde linguarejar confessa
Em ti confio...Poesia !

© Ana Sousa Simões - 2015 






domingo, 1 de novembro de 2015

Porquê's


Perguntei à noite que levou o dia o porquê de tanta agonia
A noite passou sem resposta e o dia chegou num manto de pranto
Pela manhã de mais uma noite acordada
Coloco a mordaça da aceitação e abafo a raiva, a revolta a dor
E sou incompreensão
A lua tombou e só me restam lágrimas que por ti choro
até ao raiar de soltas madrugadas
Pergunto ao tempo o porquê do Passar e não Ficar
E o tempo passa descompassado, apressado sem ficar
E num triste lamento compreendo...
Faço as malas sem limites de carga
Na bagagem guardo passados de amizade, euforia, alegria e muito amor
No presente, carrego paz e dispo-me de quaisquer sentimento poluente 
Para o futuro, carrego a nudez do imprevisto... com a certeza que tudo passa sem ficar
E quando minha alma fraqueja e de dor meu coração lateja 
Regresso a um passado não agendado
Revolvo a mala, revivo memórias, relembro estórias e faz-se magia
E assim...
Ancorei os porquês numa ilha esquecida
Lancei as dores num barco á deriva
E na espuma de um beijo que morre na areia... sinto-me inteira
E volto a ser presente. 

© Ana Sousa Simões